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Alma
Com Sofia Botelho.






Fotos: Júlia Salustiano
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“Nenhum homem pode atravessar o mesmo rio duas vezes, porque [já] nem o homem nem o rio são os mesmos.” (Heráclito)



Fotos: Júlia Salustiano
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Sentir-se pleno ou vazio diante do outro. O outro pessoa. O outro lugar. Conhecido ou desconhecido.
O que enche seus pulmões de ar - num suspiro mais profundo que a mais densa sensação de vazio?




Fotos: Júlia Salustiano
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“O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lêO poema alguém o dirá
Às searasSua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do ventoO poema habitará
O espaço mais concreto e mais atentoNo ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondasE entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo”(O Poema - Sophia de Mello Breyner Andresen)

Fotos: Júlia Salustiano
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“eu queria ser um poema. desses intensos. desses intensos que nunca se acabam. desses que cada leitura é uma e que cada leitura acrescenta algo diferente ou te traz a mesma intensidade. eu queria viver um poema. eu queria rimar. eu queria conseguir deixar cada palavra tão forte e tão bonita. eu queria dizer o indizível. eu queria por pra fora essas coisas todas que a gente nem sabe o que é. eu queria exteriorizar sentimentos fortes. eu queria conseguir dizer. eu queria ser um poema. queria alçar voos fora de mim, mas pra dentro. queria conhecer outros sentimentos tão intensos, que nunca se acabam, que são outras leituras e a mesma leitura forte, indizível, que exteriorizassem o que há de mais urgente e, ainda assim, caber.”
(Texto de Raíssa Christófaro)
Foto: Júlia Salustiano